Eu gostava de casar com uma cigana

Passou-se tudo como planeado, nos conformes. Tive à minha porta, uma discussão tranquila com duas senhoras muito acessíveis no que toca a aprofundar conhecimentos noutras crenças. São testemunhas credíveis da obra de Jeová e, por deus, não querem saber de Alcorões ou Alcoronas. Sem saber que o seu sentimento de desinteresse por outras religiões se era partilhado pela minha pessoa, incluindo precisamente, a religião que defendia. Mas ao contrário delas, o meu sentimento não é de total desinteresse, porque eu até gosto das histórias e isso, mas sim, relacionado com fé. Apesar de ter resistido religiosamente e simpaticamente às duas horas e trinta minutos na tentativa pouco aprofundada de instrumentalização ao meu ser, de ideais, dos quais se regem as testemunhas de Jeová(ou Jévas se for pronunciado em hebraico), na busca da razão, pelo qual, o Homem se deve debruçar no segmento da verdade absoluta e do verdadeiro ser divino (Aquele que nós criamos já algum tempo); cheguei, para o meu objectivo secundário do dia, são e salvo ao Campo Pequeno, para vislumbrar a terceira e quarta melhor equipa do mundo de futebol em confronto. De facto, o futebol é uma verdadeira paixão. Desde que saiba que existe a hipótese de alguém me conhecer.

A caminho pude contemplar os dois maiores perigos eminentes: o perigo eminente da linha Sintra, em poderia ser apanhando de surpresa por um indivíduo que me faça a pergunta de desenvolvimento que antecede o crime: "dás-me um euró?", e, da qual me constringe logo, pois essas perguntas levam-me sempre a pensar nas perguntas de desenvolvimento que se faziam no secundário, a português, em que tirava sempre más notas e onde se riam sempre depois de eu responder à professora; com os perigos eminentes de duas literaturas muito metaforicamente e ironicamente ricas: Mário de Carvalho e Saramago. Estou a ler Saramago pela segunda vez, não me censurem. Aliás, peço-vos e exijo-vos, a todos vocês, especialmente às testemunhas da grande obra de Jeová, para não me condenarem previamente por, ao invés de, escolher em gastar o meu precioso tempo numa tentativa de me aproximar a deus, me esteja a satisfazer com os deleitosos excertos de Saramago por uma segunda vez. Acho que neste blog, já estou a exagerar com Saramago. Enfim. É que, no fundo, no que toca a ideias, não sei, de que extremo mais me aproximo. Mas sempre gostei mais de ler.



Cá estamos. À noite passeam-se muitas kamones no Bairro Alto. Eu por acaso já vos contei que, no dia do jogo dos EUA-Gana, o mesmo dia da actuação banda de tributo aos Queen na praça do Campo Pequeno, tive uma breve conversa com duas americanas de Alabama que gostam muito de cantar e estão cá em Portugal a viver na embaixada dos EUA e que quase me fizeram dormir na embaixada? Se sim, então esqueçam, falha minha. Acho que, a acrescentar ao que vos disse na outra vez, quando se discute gastronomia não se deveria nunca incluir, por lei, os fast-food. Mas eu sempre percebi: culturas. O meu percurso até ao S. Luiz fez-se como de costume, cheio de percalços, mas, como vinha pelo Bairro Alto, só poderia chegar atrasado. Mais sendo eu júri de um concurso de fantochada como é o Caça ao Cómico. Ainda por cima, um programa de uma canal novo! No fundo, também não me preocupava muito, ninguém o conhecia, ainda, e, no final de contas, quem mandava ali era eu. Não me encarem como arrogante, até porque este programa é para rir. Isto era uma piada! Mas discutir as minhas piadas não valerá a pena. Até porque são parvas. Uma qualidade que se desenvolveu em mim(e tenho plena consciência disso) a partir do momento em que nasci, compensada, com a minha capacidade em escutar as pessoas, comprovada e testada nas mais de 2horas de diálogo sobre assuntos que não me interessam de todo. É só porque gosto de ser simpático!


Mas, falando sobre a minha prestação como júri, cujo o meu único trabalho implicava fazer uma cruz no quadrado do respectivo concorrente, posso-vos acrescentar que estive na minha plena condição em elaborar a mais perfeita cruz alguma vez desenhada. Embora tenha sentido alguns silêncios constrangedores, piadas secas, deixando o público com cara de quem cheirou lixívia e muitos “aaaaaaaaah…” entre palavras ou entre rimas internas, a minha escolha foi para um Castrense cheio de piada que não chegou a ganhar. Admito que ser alentejano também pesou nos meus mais refinados critérios. Mas, confesso, o que me levou lá, não foi uma busca pelo riso fácil, mas sim, por finalmente completar o meu maior sonho, ver e ouvir o maior humorista português: Rui Unas.



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