
A caminho pude contemplar os dois maiores perigos eminentes: o perigo eminente da linha Sintra, em poderia ser apanhando de surpresa por um indivíduo que me faça a pergunta de desenvolvimento que antecede o crime: "dás-me um euró?", e, da qual me constringe logo, pois essas perguntas levam-me sempre a pensar nas perguntas de desenvolvimento que se faziam no secundário, a português, em que tirava sempre más notas e onde se riam sempre depois de eu responder à professora; com os perigos eminentes de duas literaturas muito metaforicamente e ironicamente ricas: Mário de Carvalho e Saramago. Estou a ler Saramago pela segunda vez, não me censurem. Aliás, peço-vos e exijo-vos, a todos vocês, especialmente às testemunhas da grande obra de Jeová, para não me condenarem previamente por, ao invés de, escolher em gastar o meu precioso tempo numa tentativa de me aproximar a deus, me esteja a satisfazer com os deleitosos excertos de Saramago por uma segunda vez. Acho que neste blog, já estou a exagerar com Saramago. Enfim. É que, no fundo, no que toca a ideias, não sei, de que extremo mais me aproximo. Mas sempre gostei mais de ler.

Cá estamos. À noite passeam-se muitas kamones no Bairro Alto. Eu por acaso já vos contei que, no dia do jogo dos EUA-Gana, o mesmo dia da actuação banda de tributo aos Queen na praça do Campo Pequeno, tive uma breve conversa com duas americanas de Alabama que gostam muito de cantar e estão cá em Portugal a viver na embaixada dos EUA e que quase me fizeram dormir na embaixada? Se sim, então esqueçam, falha minha. Acho que, a acrescentar ao que vos disse na outra vez, quando se discute gastronomia não se deveria nunca incluir, por lei, os fast-food. Mas eu sempre percebi: culturas. O meu percurso até ao S. Luiz fez-se como de costume, cheio de percalços, mas, como vinha pelo Bairro Alto, só poderia chegar atrasado. Mais sendo eu júri de um concurso de fantochada como é o Caça ao Cómico. Ainda por cima, um programa de uma canal novo! No fundo, também não me preocupava muito, ninguém o conhecia, ainda, e, no final de contas, quem mandava ali era eu. Não me encarem como arrogante, até porque este programa é para rir. Isto era uma piada! Mas discutir as minhas piadas não valerá a pena. Até porque são parvas. Uma qualidade que se desenvolveu em mim(e tenho plena consciência disso) a partir do momento em que nasci, compensada, com a minha capacidade em escutar as pessoas, comprovada e testada nas mais de 2horas de diálogo sobre assuntos que não me interessam de todo. É só porque gosto de ser simpático!

Mas, falando sobre a minha prestação como júri, cujo o meu único trabalho implicava fazer uma cruz no quadrado do respectivo concorrente, posso-vos acrescentar que estive na minha plena condição em elaborar a mais perfeita cruz alguma vez desenhada. Embora tenha sentido alguns silêncios constrangedores, piadas secas, deixando o público com cara de quem cheirou lixívia e muitos “aaaaaaaaah…” entre palavras ou entre rimas internas, a minha escolha foi para um Castrense cheio de piada que não chegou a ganhar. Admito que ser alentejano também pesou nos meus mais refinados critérios. Mas, confesso, o que me levou lá, não foi uma busca pelo riso fácil, mas sim, por finalmente completar o meu maior sonho, ver e ouvir o maior humorista português: Rui Unas.
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